Tentando entender melhor o mundo que está em mim, organizar a bagunça na mente, e na reflexão de determinadas coisas vejo onde posso chegar. E hoje falarei de uma parte do que o amor significa em mim, talvez você (leitor) encontre alguma semelhança, pois muitas vezes o que sentimos parte de frustrações e sensações similares, então, leia e deixe sua mensagem (se quiser)...
Sempre busquei meios de entender o que faz uma pessoa sofrer por acreditar que amando tudo se resolveria! Questionava a minha dor por meio de um sentimento que nem mesmo se pode definir completamente, já que o usamos quando é-nos conveniente (não é a toa que falamos EU TE AMO e pimba! Mais uma na cama), mas será que amor é conveniência? Será que realmente devemos limitar a vida e abdicar da realidade para viver de ilusões? Por mais que se fortaleça o amor no coração, ele é de fato a motivação para continuar em relacionamentos que não acrescentam nada na sua vida, não estou dizendo que todos são assim, existem relações que se baseiam em real comprometimento do casal, já outros perdem o sentido de existir, se fazer verdadeiro e bem estruturado.
Que sacrifícios fazemos para deixar a vida infeliz e sem rumo? O coração tal como concebemos para os sentimentos resguarda sobre si uma responsabilidade aquém do racionalismo e da realidade, nos colocando em rumos coloridos e belos, o sonho exatamente, por mais que os sonhos nos impulsionem não se deve alicerçar todo um futuro neles, seria muito simples e simplório. Porém é uma espécie de jogo, mas sério, no qual são vidas e um futuro em questão!
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| Assim que pretende ter o amor de alguém? Privar é o melhor caminho? |
Refletindo bem sobre tudo isso, iniciei alguns questionamentos que o senso comum já trabalhou por séculos e adivinhem não chegaram a lugar nenhum. Então, será que mesmo tendo um amor incondicional e acreditando que ele seja inabalável é possível manter-se firme no relacionamento? Talvez nem só amor garanta estabilidade, todos sabem que quando o assunto são as emoções há mais instabilidade que qualquer noção de concretude, pois bem, nesses momentos que precisamos parar um pouco e analisar todas as probabilidades e definir, mesmo que por vários caminhos, direções possíveis ou não. É como arriscar na bolsa de valores, pode dar certo, mas também dar muito errado são sacrifícios que diariamente temos que levar adiante e assim tomar novos rumos na vida.
Eu inicio um pensamento que não deve ser distinto de muitos por aí nesse mundão de @OCriador, daí se pensa nas seguintes alternativas, mesmo que o namoro seja de longa data, mesmo que exista um grande amor, mesmo que esse sentimento não seja apenas um sonho seria melhor desistir de tudo e deixar que novas realidades surjam para ambos! Onde quero chegar? No óbvio, muitos vezes limitamos o desenvolvimento das pessoas para resguardar algo que lembra muito o orgulho (se realmente não for isso), ciúme, até mesmo o medo de não encontrar alguém que já consegue suportar todos os seus defeitos e ainda tenta entender o pouco de qualidades que tem. O mundo é imenso, o número de pessoas não diminuiu nos últimos 100 anos, pelo contrário. Nos vemos numa conjuntura de mais liberdade, qual o sentido de manter um relacionamento que, muitas vezes, não o leva a crescer!?
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| Por mais que a felicidade exista, temos que abdicar de algo, mesmo que haja consequências pesadas. |
Tudo bem, você pode dizer que amar é sublime, e que não conseguiria viver sem essa pessoa, mas existe um meio muito mais claro que poderia colocar na cabeça no momento que pensa assim, uma rápida reflexão: eu conseguiria viver com essa pessoa na qual existem mais distinções que semelhanças? Eu poderia conviver com essa pessoa numa realidade de tristeza e dúvida? Ela seria feliz com a minha infelicidade!? Eu poderia completar ou complementar sua felicidade, mesmo percebendo que nossos planos e sonhos diferem!? Nisso que entra o sacrifício, a necessidade do outro encontrar novas experiências, crescer por si, sem precisar de um peso na consciência para fazer tudo que lhe apetecer, podendo errar, podendo aprender com suas desilusões, sacrificar a possibilidade pela realidade, libertar de uma jaula que limita sua ação. Eu não estaria sacrificando a minha vida, mas libertando o potencial que a outra poderia descobrir, estaria finalizando com uma dor que poderia desgastar e até mesmo deixar marcas profundas, com isso de que valeria viver um amor dito tão lindo se ele acabou ferindo na alma ambos envolvidos?
Não adianta por em questão que determinados sacrifícios sejam a causa das histórias mal resolvidas, muitas vezes o que deixa algo pela metade é a incapacidade de resolver aquilo quando tudo era belo e perfeito (colocando isso como hipotético e não real), perfeição é tão mais abstrato que o amor, e ainda temos a capacidade de elencá-las numa declaração: “Nosso amor é perfeito!” Lembra muito a questão da eternidade, no sempre, do inexorável, do inolvidável, existem tantas palavras fortes para juntar ao amor, mas nenhuma pode confrontar com a realidade, todas por definição é insustentáveis, pois como um sentimento pode ser perfeito se, às vezes, existe é discussão e problemas? Como dizer eterno, se nem mesmo a nossa vida é!? O eterno é algo tão absurdo que um casal não fez curso de astrólogo para saber o futuro, o momento é o presente, sempre foi assim, mesmo que ainda nos baseamos no passado para resolver determinados problemas, o amanhã nos pertence? Sempre como? Heráclito de Éfeso, grande filósofo pré-socrático disse e é válido até hoje: Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado; por causa da impetuosidade e da velocidade da mutação, esta se dispersa e se recolhe, vem e vai.
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| Amor eterno? |
Tudo muda, nada é como sempre, devemos mudar, pensar diferente de ontem, agir distintamente de quando éramos crianças, adolescentes, jovens... Podemos dizer que o amor é tudo e ao mesmo tempo nada, ao mesmo tempo que dá, ele pode tirar, dizemos que amamos para nos sentir bem, e repetimos pouco depois para externar o sofrimento, é um jogo dialético que nos causa a todo instante questionamentos e dúvidas, não do que sentimos, mas do que realmente poderíamos sentir, ou seja, será que essa coisa louca que nos invade é amor!? Será que essa dor incomoda e incessante é o amor que sinto por aquela pessoa?!
Um dos trechos mais emblemáticos sobre o amor na Bíblia é de fato esclarecedor quando devemos perceber que em algum momento devemos nos libertar e consequentemente liberar alguém para que possa encontrar ou reencontrar sua vida, para finalizar o post de hoje deixo essa reflexão para você que pode fazer coisa certa para si e para outro!
I Coríntios, 13
1. Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente.
2. Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, nada seria.
3. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, nada disso me adiantaria.
4. O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho.
5. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor.
6. Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
7. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8. O amor jamais passará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá.
9. Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia.
Quero que o amor não se guarde em mim, mas que ele seja externado, compartilhado, posto à prova e não se faça com mal-entendidos e erros!