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3 de set. de 2010

Amor e Sacrifício

Tentando entender melhor o mundo que está em mim, organizar a bagunça na mente, e na reflexão de determinadas coisas vejo onde posso chegar. E hoje falarei de uma parte do que o amor significa em mim, talvez você (leitor) encontre alguma semelhança, pois muitas vezes o que sentimos parte de frustrações e sensações similares, então, leia e deixe sua mensagem (se quiser)...

Sempre busquei meios de entender o que faz uma pessoa sofrer por acreditar que amando tudo se resolveria! Questionava a minha dor por meio de um sentimento que nem mesmo se pode definir completamente, já que o usamos quando é-nos conveniente (não é a toa que falamos EU TE AMO e pimba! Mais uma na cama), mas será que amor é conveniência? Será que realmente devemos limitar a vida e abdicar da realidade para viver de ilusões? Por mais que se fortaleça o amor no coração, ele é de fato a motivação para continuar em relacionamentos que não acrescentam nada na sua vida, não estou dizendo que todos são assim, existem relações que se baseiam em real comprometimento do casal, já outros perdem o sentido de existir, se fazer verdadeiro e bem estruturado.

Que sacrifícios fazemos para deixar a vida infeliz e sem rumo? O coração tal como concebemos para os sentimentos resguarda sobre si uma responsabilidade aquém do racionalismo e da realidade, nos colocando em rumos coloridos e belos, o sonho exatamente, por mais que os sonhos nos impulsionem não se deve alicerçar todo um futuro neles, seria muito simples e simplório. Porém é uma espécie de jogo, mas sério, no qual são vidas e um futuro em questão!

Assim que pretende ter o amor de alguém? Privar é o melhor caminho?
Refletindo bem sobre tudo isso, iniciei alguns questionamentos que o senso comum já trabalhou por séculos e adivinhem não chegaram a lugar nenhum. Então, será que mesmo tendo um amor incondicional e acreditando que ele seja inabalável é possível manter-se firme no relacionamento? Talvez nem só amor garanta estabilidade, todos sabem que quando o assunto são as emoções há mais instabilidade que qualquer noção de concretude, pois bem, nesses momentos que precisamos parar um pouco e analisar todas as probabilidades e definir, mesmo que por vários caminhos, direções possíveis ou não. É como arriscar na bolsa de valores, pode dar certo, mas também dar muito errado são sacrifícios que diariamente temos que levar adiante e assim tomar novos rumos na vida.

Eu inicio um pensamento que não deve ser distinto de muitos por aí nesse mundão de @OCriador, daí se pensa nas seguintes alternativas, mesmo que o namoro seja de longa data, mesmo que exista um grande amor, mesmo que esse sentimento não seja apenas um sonho seria melhor desistir de tudo e deixar que novas realidades surjam para ambos! Onde quero chegar? No óbvio, muitos vezes limitamos o desenvolvimento das pessoas para resguardar algo que lembra muito o orgulho (se realmente não for isso), ciúme, até mesmo o medo de não encontrar alguém que já consegue suportar todos os seus defeitos e ainda tenta entender o pouco de qualidades que tem. O mundo é imenso, o número de pessoas não diminuiu nos últimos 100 anos, pelo contrário. Nos vemos numa conjuntura de mais liberdade, qual o sentido de manter um relacionamento que, muitas vezes, não o leva a crescer!?

Por mais que a felicidade exista, temos que abdicar de algo, mesmo que haja consequências pesadas.
Tudo bem, você pode dizer que amar é sublime, e que não conseguiria viver sem essa pessoa, mas existe um meio muito mais claro que poderia colocar na cabeça no momento que pensa assim, uma rápida reflexão: eu conseguiria viver com essa pessoa na qual existem mais distinções que semelhanças? Eu poderia conviver com essa pessoa numa realidade de tristeza e dúvida? Ela seria feliz com a minha infelicidade!? Eu poderia completar ou complementar sua felicidade, mesmo percebendo que nossos planos e sonhos diferem!? Nisso que entra o sacrifício, a necessidade do outro encontrar novas experiências, crescer por si, sem precisar de um peso na consciência para fazer tudo que lhe apetecer, podendo errar, podendo aprender com suas desilusões, sacrificar a possibilidade pela realidade, libertar de uma jaula que limita sua ação. Eu não estaria sacrificando a minha vida, mas libertando o potencial que a outra poderia descobrir, estaria finalizando com uma dor que poderia desgastar e até mesmo deixar marcas profundas, com isso de que valeria viver um amor dito tão lindo se ele acabou ferindo na alma ambos envolvidos?

Não adianta por em questão que determinados sacrifícios sejam a causa das histórias mal resolvidas, muitas vezes o que deixa algo pela metade é a incapacidade de resolver aquilo quando tudo era belo e perfeito (colocando isso como hipotético e não real), perfeição é tão mais abstrato que o amor, e ainda temos a capacidade de elencá-las numa declaração: “Nosso amor é perfeito!” Lembra muito a questão da eternidade, no sempre, do inexorável, do inolvidável, existem tantas palavras fortes para juntar ao amor, mas nenhuma pode confrontar com a realidade, todas por definição é insustentáveis, pois como um sentimento pode ser perfeito se, às vezes, existe é discussão e problemas? Como dizer eterno, se nem mesmo a nossa vida é!? O eterno é algo tão absurdo que um casal não fez curso de astrólogo para saber o futuro, o momento é o presente, sempre foi assim, mesmo que ainda nos baseamos no passado para resolver determinados problemas, o amanhã nos pertence? Sempre como? Heráclito de Éfeso, grande filósofo pré-socrático disse e é válido até hoje: Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado; por causa da impetuosidade e da velocidade da mutação, esta se dispersa e se recolhe, vem e vai.

Amor eterno?
Tudo muda, nada é como sempre, devemos mudar, pensar diferente de ontem, agir distintamente de quando éramos crianças, adolescentes, jovens... Podemos dizer que o amor é tudo e ao mesmo tempo nada, ao mesmo tempo que dá, ele pode tirar, dizemos que amamos para nos sentir bem, e repetimos pouco depois para externar o sofrimento, é um jogo dialético que nos causa a todo instante questionamentos e dúvidas, não do que sentimos, mas do que realmente poderíamos sentir, ou seja, será que essa coisa louca que nos invade é amor!? Será que essa dor incomoda e incessante é o amor que sinto por aquela pessoa?!

Um dos trechos mais emblemáticos sobre o amor na Bíblia é de fato esclarecedor quando devemos perceber que em algum momento devemos nos libertar e consequentemente liberar alguém para que possa encontrar ou reencontrar sua vida, para finalizar o post de hoje deixo essa reflexão para você que pode fazer coisa certa para si e para outro!

I Coríntios, 13

1. Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente.

2. Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, nada seria.

3. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, nada disso me adiantaria.

4. O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho.

5. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor.

6. Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.

7. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

8. O amor jamais passará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá.                                                                                                                  

9. Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia.


Quero que o amor não se guarde em mim, mas que ele seja externado, compartilhado, posto à prova e não se faça com mal-entendidos e erros!

4 comentários:

  1. bem, antes de tudo gostaria de saber qual a sua religião..No mais , não gostei do fato de vc generalizar tudo sobre o amor...pois se vc é cristão como parece(por vc colocar trechos da bíblia),não deveria ver o amor dessa forma. mas não o culpo pois vc não deve ter tido uma boa experiência nessa questão de amor...mas como vc disse existem muitas pessoas nesse mundo...pq vc não encontraria alguém pra te mostrar esse amor de verdade? vc tbm fica se privando de sentir isso e viver o momento...Outra coisa é que vc se contradiz quando vc fala que amor é uma questão talvez de orgulho...sendo que vc coloca no final um trecho da bíblia falando que o amor nao é orgulho. Eu estou namorando à 1 ano e 5 meses e meu relacionamento se encontra de maneira muito saudável...sou mais velha que meu namorado e muitas vezes nos desentendemos...mas quando percebemos que nos amamos nos faz crescer ao contrário do que vc diz...por isso não generalize...se não ngm se comprometia com ngm, e nem colocaria sua vida "eterna" para aquela pessoa, como é no matrimônio.O amor pra mim, se resume no fato que inclusive a igreja adota, é fazer feliz o outro para alcançar a própria felicidade.mais outra coisa, eu sempre falo pro meu namorado o quanto quero passar minha vida toda com ele, falo tbm 'te amo pra sempre" e outra coisas a mais...e isso não quer dizer que vivamos realmente pra sempre...mas enquanto dure e enquanto exista esse amor entre nós..só isso...não é para simplismente estacar o sofrimento e sim o contrário, fazer feliz...pois quando eu falo isso pra ele..eu vejo nos seus olhos o quanto eu estou fazendo-o feliz...e quando ele me diz isso eu me sinto nos "ares" e etc.Enfim, não se prive somente nisso de que será que o amor é verdadeiro ou não...aliás poderiamos dar o nome de X para o amor, pq não importa o nome 'amor' e sim como vc se sente. breve reflexão:quando vc ama uma pessoa e ela te beija, como vc se sente? quando vc precisa muito de alguém vc recorre a quem, quando o assunto é sério? e quando alguém te abraça ou quando a pessoa sai e vc sente aquela falta imensa da pessoa...e sente a cada dia que passa um vazio muito grande no coração? pense nisso, se vc não sente isso ainda por alguém não sacrifique quem sente...pois quem sente e ler o que vc diz aqui, fica muito infeliz e vc pode estar causando talvez dúvidas em pessoas que já tem a certeza de que ama o outro.não seja o motivo dessas dúvidas. desejo um amor de verdade pra vc. beijos ;*

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  2. Olá! Sou realmente cristão, por isso coloquei o trecho, fui doutrinado na Igreja Católica, mas tomei outros rumos dentro da minha crença e atitude quanto ao religioso, ao colocar a passagem a ideia não foi para contrapor o pensamento que escrevi, mas apenas um ponto no qual todos nós poderíamos nos fixar. Não vejo com pessimismo o ato de amar, ou qualquer coisa que seja, como disse X! A contradição está em tudo que falamos e fazemos na vida, até mesmo o intuito de generalizar é uma perspectiva mais real, o fato é que existem pessoas "realizadas" outras não, se você chegar a ler textos de especialistas em psicanálise, psicologia, sociologia, antropologia e afins, eles não vão trabalhar no contexto da exceção, mas da generalidade que o ser humano. A contradição existe em tudo que há em nós. Até mesmo a sua ideia de buscar no outro a felicidade dele e completar a sua, posso considerar isso como contradição, devemos resguardar o amor próprio para evitar feridas. Não por orgulho, pois eu disse algo que poderia ser parecido, mas pela necessidade de preservar quem somos em essência. Temos histórias e vivências diferentes, nisso está a contradição no que diz respeito a tirar suas conclusões que são pertinentes a priori, mas que não contempla a essência do que busco no texto. Pois na maioria das vezes sacrificamos quem nós somos para satisfazer o outro, buscamos nos felicitar ao sacrificar a nossa própria felicidade para dar a outrem. Fico contente pelo seu comentário que é pertinente e mostrou que ainda há pensamentos a serem compartilhados e discutidos.
    Obrigado pelo seu desejo e não veja isso como um pessimismo e campanha para acabar com o amor, pelo contrário. Desejo-lhe que ame pela eternidade que durar seus sentimentos.

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  3. O fato de vc ser doutrinado e seguir algumas vertentes diferentes,tudo bem.Mas, vc é um psicanalista ou algum outro profissional? pq quando a pessoa tem um blog e ainda mais esse seu...seria pra expor experiências suas e não generalizar,certo? Pois colocando em geral, vc não esta abrindo espaço para as pessoas compartilharem as experiências vividas...aliás, principalmente em relação a amor e política, as pessoas adoram discutir o tema....tirando aquelas que adoram novelas,mas deixaremos essas de lado.KKKK.Porém, não me veja como alguém que queira dizer o que vc deve fazer com seu blog, ao contrário..só comento.Eu concordo que entre nós exista contradições, mas pelo meu "amado" eu tento no máximo fazer a felicidade dele se pensar no que ele vai fazer de volta.Claro que pro ser humano é difícil...mas pensando no amor do outro que vc consegue forças.E em relação a orgulho, nem sempre conseguimos resguardar a nossa essência..as vezes pecamos com a essência do próximo...por isso evito ao máximo possuir esse tipo de orgulho no meu relacionamento...é como se estivéssemos juntos só por compromisso não por amor mesmo, se é que vc me entende?Orgulho pra mim tem grande parte no egoísmo.Pra acabar, me desculpa se pareceu em algum momento que eu queria transpor minha experiência...ou deixa-la como se fosse uma opinião de todos, mas o que eu buscava era demonstrar a exceção para que vc possa crescer seu texto e abordar com muito mais clareza.
    Obrigada a vc por respeitar e não simplesmente se mostrar o especialista da situação.E agradeço pelo desejo, toda a benção é bem vinda. ;D

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  4. Me fez refletir bastante a questão da liberdade no amor... Sou do tipo possessivo, e ultimamente venho percebendo que essa possessividade prejudica não só meus relacionamentos e minha companheira, mas a mim mesmo. Hoje eu começo a entender a necessidade de me liberar e liberar o outro para que o amor possa fluir em sua essência. Uma citação que li em um site:
    "...O amor só é real quando é livre. Amar é libetar-se do outro, liberando-o também. Se não há liberdade, há apego. Aí o amor transforma-se em posso e, então, deixa de ser amor. Surge o ciúmes, decorrente do medo da perda. Quando não se tem não há o que perder. Quando se sente não há o risco da perda, porque fica no nosso controle. 'O amor não é um objeto, e sim um sentimento que não se pesa, não se mede, mas se sente e se compartilha'. "

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