Diário de dois dias com a minha primeira moto
Ontem finalmente consegui pegar minha moto (TITAN 150 ESD - 98). Há tanto tempo sabendo como fazer andar, ir para frente, trocar marchas, ou seja, pilotar. Pois bem caro leitor(a), não foi como imaginava, pois a minha situação era totalmente distinta, estando em Taguatinga, melhor dizendo no inferno que é o Pistão Sul, tive que dar o meu jeito de ultrapassar o nervosismo e seguir adiante. A tensão foi muito grande, mistura de medo e adrenalina, parecia algo novo e incrível, estava dominando toda a situação.
Saindo da loja, na qual adquiri meu veículo, fui direto ao trânsito caótico de 18h, são vários carros e motos, velocidades variadas, mas sempre em alta. Eu precisava de uma adaptação, mas nada de teorias, a prática me ensinaria algo muito melhor: CONFIANÇA. E segui em frente, o sangue quente e os olhos vidrados para todos os lados, correndo entre os carros, mas consciente das minhas atitude, parecia natural, como andar em bicicleta. Mas depois que cheguei na faculdade foi o meu alívio.
Todo contente por não ser pedestre e agora minha independência de locomoção nessa cidade que nos obriga a fazer isso, sei de todos os perigos e riscos, mas não se pensou na possibilidade de criar um cidade acessível, tudo é distante e cheio de voltas.
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| TITAN 125 ESD - 98 |
Mas a pior parte ainda não tinha chegado, pois fim de aula, despedidas normais entre os colegas e claro, mostrar para o amigo o novo brinquedo, mas eu esquecera de um pequeno detalhe: Brasília, à noite, é muito fria e eu estava apenas com roupas de trabalho leves, mas não poderia deixar a moto lá e claro, estava muito interessado em pilotar verdadeiramente a minha moto. Só que na metade do caminho eu realmente lembrei do recado dado pelo meu amigo: "Você vai me xingar na descida do Núcleo Bandeirantes" e nesse exato momento eu realmente o xinguei, mas não poderia parar e aquecer. Perdi o caminho, fiz retornos e tantas voltas que parecia uma eternidade, mas estava gostando, era legal andar e andar, não tinha a preocupação de horário para chegar em casa, posso chegar a qualquer hora, quando achar conveniente.
Não estou me colocando, agora que tenho moto, acima dos pedestres, eles ainda merecem consideração, eu até ontem precisava do transporte público, que necessita urgentemente de reformas e adequação da realidade. Vergonhoso saber que fui obrigado a fazer essa escolha pela necessidade de locomoção autônoma. Mas não pararei por aqui, as minhas críticas e diários de movimentação tem por intuito mostrar o quanto é importante melhorias no transporte e nas regras de trânsito, mas a estrutura viária também é necessária e tudo precisa mudar, mas esse é o ano político, momento de cobrar e solicitar que essa democracia.
Pois bem, continuando o "causo" cheguei, vivo, em casa. Mas totalmente ligado e tenso, pois parecia surreal estar com a moto após tanto tempo pensando em ter. Mostrei para meu colega e até fiz questão de levá-lo para passear pelos blocos.
Mas o melhor estar por vir, chegado o segundo dia com ela foi mais emoções, pois voltei em Taguatinga, perdido é claro, pois ir de ônibus é uma coisa, se pedestre por lá é teta, mas agora com moto, as coisas são completamente diferentes, pois preciso seguir regras agora e ter atenção dobrada, peguei a via da morte na ida e a via do inferno na volta ao plano, os nomes? EPTG e ESTRUTURAL, sobrevivi às duas, e me coloco como um héroi e não me atrasei tanto no trabalho. Agora a motinha está me aguardando para mais um dia de luta e vamos indo, na manha sempre, para não deixar essa oportunidade boa passar.
Ah! Para meus amigos e familiares, rezem por mim sempre, pois é muito bom saber que existem pessoas pensando no meu bem estar.


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