Cotidiano: eu e o mundo – processo reflexivo
Dias atrás uma das minhas aulas ajudou a refletir mais que o normal, quis encontrar respostas para questionamentos nos quais a alienação nos cega e emudece constantemente e no decorrer de tais dúvidas a velha e boa pergunta existencialista: quem sou, quem fui, o que serei, o que somos, por que aceitamos tudo calados, tenho culpa, os outros me culpam demais (tudo tem uma interrogação no final, mas preferi deixar sem mesmo)... Para onde vamos e a crise está em nós e conosco ou apenas aos outros?
A disciplina é Filosofia e Lógica Jurídica na qual ajudou a expandir os pensamentos pelas discussões em sala, mas os questionamentos são antigos, mas mantive em suspenso, talvez por recear não ser competente suficiente para dizer o que penso, por mais simplório que pareça para alguns e até mesmo ridículo, é necessário colocar seus pensamentos para que os outros possa compartilhar, criticar, ajudar a melhorar, ampliar os próprios meios de expressão.
Acredito que por mais que as informações não param de chegar a nós é mais que necessário criar, ficar passivo diante de tudo é deixar que outros decidam por mais, onde quero chegar? Bem, sempre fugi desse tema, se lerem alguns textos anteriores já tinha comentado sobre: Política e sociedade. Essas temáticas se misturam com o dia a dia, a todo instante acontece algo e ficamos calados ou fazemos o que deveríamos desde sempre EXPRESSAR.
Os países árabes que iniciaram o movimento de liberdade é um exemplo importante, ao logo da História desses povos desde o surgimento e unificação sobre a égide islâmica a dominação despótica sempre fora a ordem vigente, nunca se teve um momento realmente democrático, mudavam os reinos, lideranças, formas políticas, mas não a perseguição e supressão dos direitos individuais, porém por que o Ocidente, tão vinculado ao discurso democrático, aceita calado ou omisso lideranças ditatoriais? Antes da democracia existe outro conceito ou modelo que rege a todo instante as relações humanas, vai parecer marxista, comunista, socialista e hipócrita, mas o capitalismo supera e muito todos os outros grandes feitos do homem livre.
Qual a relação da “crise árabe” e o capitalismo?
Todas as relações possíveis, pois foi preciso criar, desenhar e impor determinadas lideranças para que as potências do passado, mas que acreditam ser incontestáveis, pudessem conseguir aquilo que a força não mais seria capaz, ao maquiar o imperialismo com a dita propagação democrática por parte de determinados países foram impostos governos marionetes, talvez você esqueça que isso aconteceu na América, não preciso ir muito longe, o próprio Brasil passou por dois períodos ditatoriais, e o segundo, em especial, terminou com a agitação social? As pessoas acreditam realmente nas Histórias contadas no que dizem os documentos oficiais, sem procurar as verdadeiras respostas é melhor nem continuar a leitura. Exatamente, a sociedade da década de 80 não fez nada que pudesse realmente democratizar o país, foi um apoio importante para acabar com a ditadura, claro, mas por que não tivemos caça as bruxas como eles, os militares, fizeram quando chegaram ao poder? Por que eles não sofreram nenhuma sanção realmente capaz de punir por tal ataque à democracia? E ainda dizem que foi uma revolução democrática (lembrando que é o mesmo discurso da maioria das ditaduras ao redor do mundo).
Brasil e países árabes, cotidiano e eu, política e sociedade, “esse cara está ficando louco ao escrever isso e nos obrigar a ler”, estou falando de tantas coisas, mas a relação existe e se realmente acha que nada faz sentido, pode esperar mais um pouco ou simplesmente parar de ler, somos uma democracia, certo? Errado, somos peças de um tabuleiro e claro que nos impuseram a função de peões, no sentido estrito. Enquanto populações, milenarmente, dominadas por governos autoritários buscam algo tão precioso e que na essência pertence a todos: LIBERDADE, nós brasileiros acreditamos que somos totalmente livres para expressar, para buscar nossos direitos, dizer a todos sobre tudo e muitas vezes isso é interrompido pela própria fragilidade existente dentro de cada um.
Fomos ou somos impelidos, para não dizer coagidos a ficarmos calados, mas creio que existe algo a mais, talvez pela própria impotência crítica, e quando achamos que estamos protestando, exemplo nas eleições a vitória do senhor Francisco Everardo Oliveira Silva (quem ler depois coloca no comentário quem é), nos mostra o quanto precisamos evoluir social e politicamente, somos estúpidos, analfabetos, estou colocando o pronome certo, pois tenho que incluir todos mesmo, pois quando vamos votar cremos que o protesto é colocar determinados candidatos nos quais se caracterizam pelo duvidoso, você dirá: Mas se voto em fulano vai roubar, para protestar vou nesse palhaço mesmo.
Engraçado demais dizer que votar em um palhaço é protesto, no fim das contas palhaço é quem votou no primeiro, sem querer ofender os paulistas, que não devem ser apenas os únicos culpados, como meu professor falara em sala: Cada povo (cidadão) tem um representante que merece. Fato! Agora reclamem, se o ferro fere com ferro será ferido, todos quiseram mostrar que poderiam colocar qualquer um lá e realmente fez isso. O voto é usado como chacota nas eleições, mas durante 4 (quatro) anos o usado somos nós que deixaremos o salário deles aumentarem mais de R$ 10.000 e o mínimo R$ 35 os economistas depois me digam qual a proporção percentual de elevação, não deixando de pensar na carga tributária, estamos pagando taxa sobre taxa e ainda assim queremos protestar elegendo representantes sem o mínimo de reconhecimento público, vê-se o próprio slogan de campanha: “PIOR QUE ESTÁ, NÃO FICA!” Então aguente firme e mantenha sua letargia como sempre, aceitando tudo calado, pois no fim das contas deveria acontecer uma prisão coletiva, já que todos os políticos são corruptos, cada cidadão deveria ser acusado de corrupção passiva. Definição: O Código Penal, em seu artigo 317, define o crime de corrupção passiva como o de "solicitar ou receber, para si ou para outros, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem."
Sei que serei taxado de exagero, mas vale da interpretação da lei, não vou entrar na hermenêutica, na teoria, na jurisprudência, mas que se possa entender o quanto somos responsáveis pelo tipo de administração (executiva, legislativa e judiciária) que temos. Tudo é resultado de um processo guiado pelas lideranças e confirmadas pela passividade popular, não há como negar que nossa parcela de culpa é maior nessa evolução (se é que posso chamar a atual sociedade de evoluída). Como resolver? Iniciar uma Revolução? Que seja, mas que possamos nos tornar atores de tal processo e não espectadores alienados. Um ato revolucionário muitas vezes pode iniciar sem necessidade de violência ou caos.
Mas a atitude em si pode ser definida como revolucionária, estou escrevendo coisas que se passam pela minha cabeça, minha indignação com tudo que está rondando meu viver e eu calado, preso à rotina, aos ditames de uma sociedade corrompida e que corrompe, de que basta manter-me letárgico e passivo sendo que o mundo lá fora está em decadência, não existe crise nos países árabes, na realidade é um tomada de consciência daquele povo diante ao problema institucional e administrativo. A crise de fato está no modelo neoliberal, capitalista, demagógico, dito democrático no qual o BRASIL vive. E somos parte disso, somos culpados por isso, estamos nos condenando por aceitar o que nos impõem, vivemos uma mentira que as televisões, os artistas, os ditos intelectuais de direita, a falaciosa esquerda, a justiça cega e desvairada, a política deturpada e distante. Somos parte de um vazio chamado presente, esperando que o país do futuro seja algum exemplo, mas qual seria? Continua...